Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2006

Por vinhas e minifúndio



  Pela primeira vez marius sentira os flocos de neve. Um manto branco estendera-se pelas serras e campos. Marius sente-se maravilhado com o que a natureza mostra, a mesma que tanto nos dá a beleza como a tormenta. Natureza verdadeiro regaço da vida e da morte.

  Vamos cavalito pisar este manto, enquanto o sol não o derrete, e vamos por terras do minifúndio, da vinha e do bom azeite.

  Marius vai pela via imperial, que segue de Tinhela até ao Alto do Pópulo, atravessa a ponte romana que o leva a Murça.



  A antiga Murça de Panóias foi povoada pelos romanos (ainda gostaria de saber se por acaso os romanos olvidaram qualquer localidade, por onde marius passa sente-se a presença romana), mais tarde foi dominada pelos árabes tendo sido dado foral por D. Sancho II.

  Já na vila um monumento chama a atenção do viajante. A célebre Porca de Murça, estátua de granito fino com a provecta idade de 2000 a 2500 anos. Só que a Porca não era uma porca mas sim uma ursa que pelos vistos gerou medos e insegurança no povo que na época habitava esta região.



  As gerações presentes como nunca tinham visto um urso transformaram o mesmo numa Porca. De uma forma ou de outra não há vinho que se compare ao da Porca da Murça. Com um paladar destes antes Porca que Ursa.



  Outro monumento que desperta a atenção é o pelourinho. Instalado no jardim frente à Câmara, que foi convento de freiras beneditinas, é do tipo tabuleiro e foi construído no século XVI. O capitel termina com moldura onde, em cada uma das faces, está representada elementos heráldicos.


  Os relógios de sol, os moinhos de água, as suas fontes de mergulho, e curiosa a frontaria da Capela da Misericórdia - No eixo da frontaria, abre-se a porta que tem como função separar o sagrado do profano, a luz das trevas, o interior do exterior e, cujo significado simbólico pode ser sintetizado na inscrição latina, "QUAM TERRlBILIS EST LOCUS ES1: HIC EST DOMUS DEI ET PORTA COELI': que traduzido em Português significa, "Como é terrível este lugar: esta é a casa de Deus e a Porta do Céu" que podemos ler na cartela ao lado direito do nicho (epístola).
Janua é a palavra latina para designar porta. É curioso haver um Deus no panteão romano chamado Janus e que é representado com duas faces voltadas em sentido contrário; é a divindade guardião das portas pois que toda a porta olha para dois lados. É, portanto, um deus de transição, de passagem tendo o dom da dupla ciência: a do passado e do futuro – a sua gastronomia, o seu vinho e o seu azeite, devido ao facto de Murça estar numa zona mista de «terra fria e «terra quente», fazem desta vila passagem obrigatória para quem demanda a terras do Douro.

  Segue marius a caminho de Vila Pouca de Aguiar, condicionada pelas serras do Alvão e da Padrela, situada no vale de Aguiar, onde nasce o Rio Corgo. Terra da célebre água das Pedras Salgadas - as águas são hipotermais, meossalainas, gasocarbónicas e silicatadas, são terapêuticamente recomendadas para diabetes, colesterol e doenças do aparelho digestivo, Vila Pouca de Aguiar deve a sua origem, por certo, aos povos de Alvão que desceram para a fértil planície.



  Do pequeno Santuário de Nossa Senhora da Conceição, no verde sopé da Padrela, pode-se desfrutar a vila e o vale até à cumeada orográfica. Catedral dos dólmens e do granito, aqui se pode apreciar a boa carne maronesa.

  Na região podem-se ver vestígios de outras eras, pegadas de histórias de outras idades, pertença dos homens. Iberos, celtas, romanos, godos e árabes, terão escolhido esta zona para habitar e explorar, as mamoas de Chãs de Arcas, Portela da Chã e Lixa do Alvão, os templos românicos, a arquitectura rústica e os «canastros», «espigueiros» ou «caniços» com os seus típicos relógios de sol.

  Marius perde-se no labirinto das várias recordações que a terra dá. Outros homens aqui estiveram, outros homens irão cá estar, nada é imutável. No futuro outros homens irão olhar para este presente e dirão: «Aqui esteve um povo que fez desta terra sua, estão aqui as suas pegadas».

publicado por marius70 às 04:36
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1 comentário:
De Anónimo a 12 de Agosto de 2008 às 12:16
«Aqui esteve um povo que fez desta terra sua, estão aqui as suas pegadas». E nessas pegadas encontramos as marcas das caligas de um romano. Um abraço! Enviado por dojaya em fevereiro 7, 2006 11:26 PM


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