Terça-feira, 3 de Maio de 2005

A caminho de Viana



  Para trás ficara o Parque Nacional, Marius70 segue o leito do Rio Lima.

  Enquanto o seu cavalo pisava docemente as margens do rio, vai-se lembrando das lendas desta zona: «A lenda da Cabração»; do «Galgo Preto»; dos «Três Penedos» e tantos outras, entre elas a «Mal Degolada», uma lenda de amor e ódio.

A MAL DEGOLADA

  «Em tempos muito antigos viveram nas margens do rio Lima, perto da vila de Ponte de Lima algumas famílias de mouros. Eles teimavam em lá continuar.

  Uma jovem moura muito bonita, apaixonou-se por um jovem cristão. Então começaram a namorar em segredo, porque eles não tinham a mesma religião. As famílias não aceitavam tal namoro.

  Um dia, foram dizer ao cristão apaixonado, que ela ia namorar todas as noites com outro homem, para junto da fonte. O rapaz não queria acreditar, mas ficou desconfiado. Assim, armado de um comprido punhal foi espreitá-la junto à fonte, mas escondido. Verificou que era verdade o que lhe tinham dito. Ficou cheio de ódio e quis vingar-se. De um salto, enterrou o afiado punhal no pescoço da moça, repetidas vezes. De repente, ouviu-se a voz de um velho e ele parou:

  - Desgraçado, o que fizeste ?! Acabas de matar a moça que por amor a ti, aprendeu o catecismo. Acabei agora mesmo de a baptizar, como cristã.

  O velho que falou, era um santo frade do convento. Ali vinha todas as noites, para a família dos mouros não desconfiar.


  Isto aconteceu onde hoje é a freguesia de Bertiandos. O povo chama à fonte, a "Fonte da Moura".

  Por toda a parte encontram-se antas e mamoas, citânias e castros, túmulos e ruínas, vestígios de civilizações que precederam Roma. Velhas pontes romanas ainda permanecem de pé como baluarte de uma arte que atravessou séculos de história.
  Outrora os concelhos minhotos eram percorridos pela via militar romana que cruzava o rio Lima a 23 000 passos de Tui e a 20 000 de Braga. O cruzamento da via fluvial com a estrada romana foi a razão da existência da povoação de Ponte de Lima.

«Nasci à beira do Rio Lima,
Rio saudoso, todo cristal;
Daí a angústia que me vitima,
Daí deriva todo o meu mal.

É que nas terras que tenho visto,
Por toda a parte por onde andei,
Nunca achei nada mais imprevisto,
Terra mais linda nunca encontrei.»


«António Feijó»

  Eis Ponte de Lima, o coração de todo o vale da Ribeira Lima, a porção de terra portuguesa porventura mais pitoresca e retintamente minhota. Recebeu o seu primeiro foral em 1125 por D. Teresa.

  Marius desce do cavalo que parte em desfilada exercitando os seus músculos vigorosos à procura das verdes pastagens.

  A velha ponte de traça romana estende-se sobre o seu olhar.



  Contempla aquela ponte onde muitos anos atrás se constava que ele, mais os seus colegas de escola, tinham morrido. Houve um acidente sim onde, infelizmente, isso aconteceu mas não era o grupo de Marius. Lembra-se que, quando chegou à sua terra, estavam dezenas de pessoas aguardando-os e eram só abraços e beijinhos e muitas lágrimas.

  São famosos os seus vinhos verdes e aguardentes, a sua gastronomia (arroz de sarrabulho, cozido à portuguesa, rojões, lampreia e sarapatel) e o seu artesanato (bordados, cestaria, cantaria etc,.).

  Apoteose de cor e grito de alegria conferem às festas do Alto Minho os trajes das lavradeiras e os cantares e danças.

  No meio da paisagem variegada, o vermelho, o preto, o azul ou o verde das saias, os bordados da camisa e do avental, as ramagens dos lenços, a graciosidade das algibeiras onde a palavra "amor" é promessa, as chinelinhas de verniz e o peito a vergar de ouro não dão margem para captar tanto pormenor de sedução. E os seus rostos dum moreno lindo, como o trigo bem maduro?! O sorriso cativante, a delicadeza de formas e de maneiras, o corpo modelado?!


«Francisco Pita»



  É assim o folclore do Alto Minho.

publicado por marius70 às 04:58
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2 comentários:
De Anónimo a 12 de Agosto de 2008 às 11:49
Não percas o site da critica http://www.my-forum.org/foros.php?id=15506 Enviado por Clica aqui em maio 30, 2005 02:50 PM

Olá! Estava e ver o teu blog e, como gostei das "figuras regionais",tentei copiar. Mas tu não deixaste. Portanto era só para te dizer que, toda a gente,tira aqui e ali, qualquer coisa da net, sem que isso queira dizer que se está a "roubar", mais a mais, porque em 99,89% dos casos o que se vê, não é da autoria de quem apresenta. Voltando "à vaca fria", é para te dizer que as vou copiar, só que me dá mais 3 minutos de trabalho, porque tenho de te "desmontar" o código. Fica bem e não percas tempo com essas "coisas". Enviado por angobo em maio 30, 2005 03:29 PM

angobo quando vi a tua msg pensava eu que era para falares do trabalho aqui apresentado, pura ingenuidade, afinal era para dizeres que me ias "roubar" as imagens que coloquei. Para ti e para muitos que valem-se do esforço alheio para fazer dos seus blogs, blogs com qualidade à custa do trabalho dos outros só te posso dizer, bendita forma de evitar o copianço. Assim vais ter três minutos da tua vida a tentar copiar aquilo que para mim demorou horas. Pois angobo, os trajes que lá estão foram tratadas e trabalhadas por mim. Não apareceram caídas do ceu. Foi muita pesquisa (afinal aquilo que tb podes fazer) e muito trabalho no Paint para ter as imagens como as vês. E evitavas esta lenga-lenga pois afinal eu como humanista que sou, (eu tb sei ir pela porta do cavalo buscar as imagens dos outros o que evito a todo o custo fazê-lo e quando as mesmas verifico que é trabalho do próprio respeito e não o faço) era só fazeres o pedido pelo meu mail e eu enviava-te com muito gosto o URL das mesmas. Assim para além do trabalho que vais ter tb te posso fornecer o endereço do site onde fui pesquisar as imagens http://www.gambler.ru/sukhty/decks02/d00982/d00982.htm e, já agora, em vez de copiares o trabalho que tive, porque não fazes tu isso? De certo que no fim te daria um enorme prazer ver algo feito por ti. Ah, e se angobo tem algo a ver com Angola, eu que lá estive não me revejo neste tipo de atitude. Fica bem e copia muito. Enviado por marius70 em maio 30, 2005 04:38 PM

não viste bem... também referenciei o teu blog. Mas já agora, fica descansado que, afinal,apaguei (acredita se quiseres) as figuras regionais que te havia "roubado". Enviado por angobo em maio 30, 2005 10:37 PM

Não vi nada nem tenho que ver. Nem sei se tens blog ou não. Cliquei no teu nick e fui parar ao mail nada mais. O que escrevi baseou-se no que escreveste aqui. Se já tinhas retirado os trajes aproveitavas e ficavas com eles, afinal os actos ficam para quem os pratica. E já agora, como se chama o teu blog? É só para ir lá vê-lo e verificar se não é só copy/paste. Fica bem. Enviado por marius70 em maio 31, 2005 12:49 AM

A feira quinzenal de Ponte de Lima é a mais antiga feira de Portugal, pelo menos, a mais antiga de que há referência em documento escrito. Dª Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, no foral que deu à vila, em 1125, manda dar protecção aos que vem à feira e aos que dela partem.-- ..." et homines qui de cunctis terris uenerint ad feiram et ad illos malefecerit tam eundo quam redeundo pariat LX solidos."-- Tradução: E se alguém fizer algum mal aos homens que de qualquer terra vierem à feira, tanto na ida como na vinda, pague 60 soldos. Que esta antecedeu o foral não há dúvida; ele põe em foco os privilégios dos que vinham à feira, deixando pressupor que a feira existia anteriormente a 1125. A passagem obrigatória, pela ponte romana, sobre o rio Lima na via romana Bracara-Astúrica de caminhantes, de peregrinos para Santiago de Compostela, de feirantes, todos necessitando de alimentos, albergue e assistência, que teriam de ser dados pela população aglomerada e já fixa, teria propiciado o aparecimento de um nódulo comercial favorecido pelo nódulo geográfico. Durante toda a Idade Média os reis portugueses protegeram, confirmando os privilégios da vila de Ponte, o burgo e a sua feira. Enviado por sunset em setembro 27, 2005 08:39 AM

A nossa feira é do ponto de vista económico, a seguir à de Barcelos, a maior feira do Minho; no aspecto histórico, etnográfico, sociológico talvez seja a mais rica de tradições, a mais castiça de costumes, a que conserva e mantém mais direitos consuetudinários, a que reflecte mais variedade de usos, a que melhor mostra a maneira de ser do nosso povo. Sempre foi e continua a ser uma das mais concorridas do norte de Portugal. Não vinha só gente da vila e arredores. Vinha-se a pé de Caminha e de Coura, pela serra. Vinha gente da Galiza. Quando das Cortes de Lisboa em 1459, os procuradores do concelho de Ponte de Lima, Pero Malheiro e Diogo Lopes, apresentaram requerimento com 12 capítulos entre os quais se destaca o seguinte: "Dizem os procuradores da vila de Ponte de Lima, os de Ponte da Barca e os de Valdevez que os gallegos de Monte Rey, de Milmanda, de Araujo e d'outras partes antigamente sempre costumavam vir à feira quinzenal de Ponte de Lima com suas bestas e mercadorias, levando daqui muito sal e outras coisas...". Através deste documento se prova que à feira de Ponte de Lima não vinham somente as burriqueiras de Prado, os ourives de Braga, as sardinheiras de Darque, os vendedores de linho de Guimarães, os louceiros de Alvarães, de Viana e de Barcelos, os contratadores de gado dos Arcos e da Barca, mas também muita gente da Galiza além de Aveiro, Barroso, de todo o Alto Minho e do Douro Litoral. Enviado por sunset em setembro 27, 2005 08:41 AM

Como se chegava à feira? Vinha-se a pé, a cavalo, em carros de bois, de barco, na "Carreira" e até em jangadas. O dia de feira era um dia festivo. As pessoas vinham com os seus fatos domingueiros; os moços de raminho de alfádiga na orelha, a mão munida de guarda-chuva ou de um pau de marmeleiro; as moças com suas saias compridas, com muitos folhos e pregas, chambres cintados, arrecadas de ouro pendentes das orelhas, os cestos enfeitados com ricas toalhas de tear que elas mesmas teceram. Os carros de bois engalanados com arcos de verdura e flores; os animais com os chifres floridos, campainhas no cachaço e o saquinho contra o mau olhado. Alguns garranos (aqueles que levam cavaleiro) com rabos de raposa pendendo da cabeçada, pele de raposa ou lobo assente nos quadris e argolas na sela que tilintam ao fazerem o "travadinho". Os que são para venda vêm em fila (o cabresto do que vai atrás preso na cauda do da frente). Enviado por sunset em setembro 27, 2005 08:43 AM

Do lado norte é a feira do gado bovino e cavalar. Esta era sem qualquer dúvida a mais importante do Minho. Junto à descida que dá para o areal estão os bois mais lindos, os mais corpulentos. São estes que vão atingir os maiores preços. Lá para o meio estão os bois novos e as touras que já cangam. Na parte mais afastada do areal, à beira do rio, estão as vacas leiteiras, algumas acompanhadas das suas crias Antigamente, quando havia uma boa venda, pagavam ao sineiro para tocar um repique no sino da Torre. Desta forma o sino badalava alegremente grande parte da manhã, pois era com a ramela no olho e um copo de bagaço ou vinho (para aquecer) que a maioria dos negócios se realizavam. Era tanto o gado e tão juntinho que havia alturas em que para uma pessoa se deslocar tinha de desviar, com um braço, uma pessoa e com o outro, uns chifres barrosãos. Barrosãos, pois o lavrador minhoto tinha a sua opção feita. Era raro encontrar bois galegos e vacas turinas. Os bois barrosãos são de uma raça que fazia parte da paisagem rural desta região onde nasceu Portugal. Enviado por sunset em setembro 27, 2005 08:44 AM


De Anónimo a 8 de Novembro de 2010 às 17:47
ola as tuas imagens deram me muito jeito para um trabalho


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