Segunda-feira, 12 de Setembro de 2005

Aquae Flaviae – Chaves



 D. Dinis o rei «Lavrador» não descurava a defesa das fronteiras das terras conquistadas e é isso que marius contempla, o castelo de Montalegre.



 Reedificado sobre um outro mais antigo, este castelo domina a paisagem com a sua bela torre de menagem.

 Descendo à nascente do Rabagão ou subindo à serra de Larouco é um caminhar quase solitário. Marius vai a caminho das termas do Imperador, no entanto, não deixa de visitar Boticas e beber o seu vinho dos «mortos».

 O caso do "vinho dos mortos", bebida que deve esta original designação a um pedaço de história: em 1809, a população local decidiu enterrar o seu vinho para não cair nas mãos dos invasores franceses. Quando o exército de Napoleão se retirou, descobriram que o vinho sabia melhor; passou a ser conhecido como "vinho dos mortos" e o costume de enterrar as garrafas por um ou dois anos ainda se mantém.

Aquae Flaviae – Chaves



 Não deixa de ser curioso, 1927 anos depois, falar desta cidade onde o imperador romano de seu nome completo Tito Flávio Sabino Vespasiano, criou como município, em 78 d.C. com o nome de Aquae Flaviae (águas de Flávio), devido ás propriedades das águas termais a que os romanos davam muito valor. Curioso pois irei falar deste imperador no Império Romano.





Em Aquae Flaviae estava acantonada parte da Legião Gemina, a outra estava em Leão, e de certo que os romanos da Galécia, vinham para desfrutarem das águas bicarbonatadas sódicas que brotam a 73º de temperatura.





 Os romanos construíram muralhas, estradas, pontes, barragem, termas, exploraram minas de ouro. Era a defesa da Rota de Ouro que fez com que este município crescesse em termos económicos, balneares e castrenses e, em 104 d.C., Aquae Flaviae passa a cidade.


 A ponte romana que une as duas margens do Rio Tâmega que atravessa a cidade, conhecida pela ponte de Trajano, foi construída entre o fim do 1º século e o princípio do 2º século (98 e 104 d.c). A ponte tem cerca de 150 metros de comprimento, 16 arcos, quatro dos quais estão soterrados, e no meio ergueram duas colunas cilíndricas epigrafadas o Padrão dos Povos, dedicado aos 10 civitates, aos imperadores Vespasiano e Tito, ao legado prospector de Augustus, e à Legio VII Gemina Félix.

 Marius vai até ao Miradouro de S. Lourenço contíguo à serra de Brunheiro. Ali desfruta da paisagem flaviense, a sua famosa veiga, e um bem conservado troço da via romana.

veiga   A Veiga de Chaves, com os seus solos férteis, atravessada ao meio pelo Rio Tâmega e os seus solos banhados pelas águas das Caldas foi, em tempos, o sustento de muita gente


  Na Igreja Matriz de Chaves existiu, em tempos, uma lápide, no colateral direito, com o seguinte epitáfio:
  «Aqui jaz Maria Mantela com sete filhos ao redor dela».

  Maria Mantela quando era garota criticou severamente uma pobre que lhe pediu esmola, levando ao colo dois gémeos. Anos mais tarde teve sete gémeos. Com vergonha pretendeu esconder isso do marido entregando os filhos a uma serva para os afogar no rio. A serva contrafeita colocou as crianças num cesto e quando ia a caminho do rio deu de caras com o marido de Maria Mantela. Este perguntando o que levava no cesto respondeu que eram cachorrinhos. O amo, ou por curiosidade ou por já desconfiar de qualquer coisa, levantou a cobertura e percebeu. Pegou no cesto, pô-lo sobre o cavalo e disse à rapariga que fosse dizer à ama que estava cumprida a ordem.
  Dali partiu com os filhos em busca de amas que os criassem. Deixou cada um em sua aldeia e durante muito tempo Maria Mantela não desconfiou que os meninos estavam vivos e se iam criando e educando.
  Diz a lenda, ao mesmo tempo que especifica os nomes das igrejas, que estes sete meninos foram ordenados padres e viveram a sua vida em sete aldeias circunvizinhas de Chaves. E Maria Mantela viveu o resto da sua vida grata ao seu marido por ter aceite aqueles sete filhos de um só parto.
  E tanto os amou que exigiu descansar juntamente com os sete, no seu leito de eternidade:
«Aqui jaz Maria Mantela com sete filhos ao redor dela».



  Chaves por certo não é a cidade que tanta importância teve no passado mas é uma cidade virada para o futuro. Com as suas igrejas, a Rua direita com originais varandas e janelas, os seus bairros típicos como o Bairro do Castelo – tipo Alfama lisboeta -, não deixará morrer as suas tradições, as suas festas, romarias, feiras tradicionais e, no próximo ano, lá estarão os flavienses a cantar as suas Janeiras:

Chegaram aqui três rosas
Três ou quatro, ou cinco, ou seis,
Se os senhores nos dão licença
Vamos-lhes cantar os Reis.


... Estejam à vontade!

publicado por marius70 às 04:45
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2005

Terras de Barroso



 Marius segue agora por avassaladoras paisagens. Os malmequeres-dos-brejos acompanham-no nesta sua caminhada. Aqui e ali, bovinos da raça barrosã pastam em verdes pastos.

Está em terras de Barroso.

 Marius dá um salto a Salto, a maior freguesia do concelho de Montalegre. Em Salto casou D. Nuno Alvares Pereira, o «Santo Condestável» no século XIV, com D Leonor de Alvim dando origem à Casa Ducal de Bragança. A estátua do Condestável encontra-se em Salto desde 1922.





 Vai pelos «Cornos das Alturas», expressão popular da serra de Alturas. Sempre com as serras em vista, numa paisagem dantesca, recortadas por arborização e povoados estamos nas terras de um povo que sabe receber mas cuidado «...com o povo barrosão não se brinca». É assim mesmo.

 Marius passa pela albufeira do Alto de Rabagão a caminho de Pitões das Júnias lugar popularizado numa reportagem de TV.

 Pitões das Júnias é um local de difícil acesso, e de clima agreste. É na pastorícia que a gente de Pitões tem o seu meio de sustento e é aqui, longe dos olhares do mundo, onde o mar é uma miragem, que se sente em comunhão com a natureza.



 Do Mosteiro de Santa Maria das Júnias restam as ruínas, até quem o serviu dali saiu. A “Fé” não se compadece só com paisagens agrestes.




Deus te salve , saco
Quatro maquias te rapo
Uma p’ro burro comer,
E outra para te moer
A outra por te levar
E outra por te trazer


 Esta é a Oração do moleiro em terras raianas de Tourém. Terra muito visitada por galegos foi outrora defendida pelo castelo de Piconho hoje em terras de Espanha. A Igreja Paroquial românica, a Capela do Demo (S. Miguel) a de Santa Ana no Outeiro, o Forno comunitário de granito e as casas rústicas que na sua maioria são do século XVIII, mostram aos visitantes uma harmonia ecológica, a contrastar com o espelho de água do Sales, afluente do Lima, com uma esguia Ponte a unir os povos raianos de Tourém e Calvos.





Traje regional rústico.










 O silêncio é esmagador. Ligámos o coração a estas terras barrosãs onde o mítico nos faz levantar os olhos e perguntar se, para além disto, o paraíso ainda existe. O sossego, o relógio sem ponteiros, a vida calma, os castros e os trajes deste povo são, sem dúvida, o Portugal profundo que o citadino gostaria de viver e ter como leito, para sonhar, o regaço da mãe natureza!

A chuva cai, são lágrimas do céu!

publicado por marius70 às 04:46
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